“Supergirl”: um filme morno para a estreia da filha de Krytpon

“Supergirl”: um filme morno para a estreia da filha de Krytpon

Vamos direto ao ponto: “Supergirl” é um filme ruim?

Não, não é. Não chega a ser um desastre incontornável, mas também não é um filme que mudará a vida de alguém. Enquanto filme em si, como uma experiência que envolve o espectador, não empolga, é morno.

No cinema, o ato de contar uma história é meio caminho andando para ganhar a atenção (e o coração) de quem assiste. Em “Supergirl”, a história se arrasta e são raros os momentos de emoção. Muito disso tem a ver com algumas escolhas do diretor Craig Gillespie, que aposta muito em determinadas interações e se “esquece” de desenvolver outras.

Um exemplo disso é a apresentação da personagem e suas motivações. Bastaria uma cena para sabermos que Kara saiu da Terra para comemorar seu aniversário e que, para curtir uma embriaguez, viaja para sistemas planetários que possuem um sol vermelho (cuja radiação ameniza a sua resistência sobre-humana). Daria para entender que a jovem de 23 anos é aventureira, impulsiva, diferente do seu primo famoso. Mas ficamos acompanhando Kara em vários bares, assistindo o entorno de vários copos, com direito a muitas ressacas. Do ponto de vista narrativo, muito tempo para mostrar que ela pode ser uma heroína “bad ass”.

Outro ponto fraco é a falta de um vilão convincente. Os “Bandoleiros” poderiam aparecer em um filme de “Mad Max” sem problemas. Seus atos são vis e respulsivos de fato, mas são como gangues que cometem esses atos repugnantes aqui na Terra, como quaisquer vilões dos filmes de ação de Silvester Stallone ou de Jason Statham. Eles não representam um desafio à altura para o poder da heroína, a ponto de trazer para ela algum aprendizado ou evolução. Bastava ela estar exposta ao sol amarelo para termos certeza de que ela daria conta deles facilmente.

Se o filme tem bons momentos, muito se deve à excelente atuação de Milly Alcock. A atriz entrega aquilo que se espera dessa nova versão da heroína de Krypton. O roteiro filme é baseado na HQ que praticamente reinventou a personagem, chamada “Supergirl: Mulher do Amanhã” (Supergirl: Woman of Tomorrow), escrita por Tom King e ilustrada pela brasileira Bilquis Evely.

Ela apresenta bem a rebeldia, os dilemas da juventude, a busca por autoconhecimento e um rumo na vida. A sua infância feliz em Argo City, a perda dos pais, a sensação de deslocamento no novo planeta são momentos passados por Milly com verdade e sutileza. O mesmo bom desempenho é visto nas cenas de ação. Ainda que algumas dessas cenas sejam genéricas, ela manda bem, mostrando todo o poder de Kara.

É possível dizer que a atriz tomou a personagem para si e que seria muito bom vê-la interagindo com outros heróis da DC.

Mas por que Supergirl” está causando tanto burburinho? Acredito que o “x” da questão esteja na expectativa criada.

Para as pessoas que não são fãs ou não são interessadas no universo da cultura pop (quadrinhos, séries, filmes e games), a personagem não é muito conhecida. Elas foram ver um filme e saíram com a sensação de ter visto algo morno, como já dito, que não causou nenhum impacto. Para essas pessoas, vida que segue.

Já para os fãs existem questões que vão além do filme em si. Seria “Supergirl” um filme que ajudaria a sedimentar o novo Universo DC de James Gunn?

A resposta é não. O filme não mostrou nada que pudesse causar alguma ansiedade e expectativa por esse universo. Apresentou o Lobo (Jason Momoa) com diálogos legais e tudo bem, ok. Mas pensando em futuro, esse personagem não funciona em cenários que não sejam espaciais. Além do que, convenhamos, Lobo nunca foi personagem de primeiro escalão da DC. Ou seja, funcionou com um fan-service (ainda que eu goste deles), que não é capaz de oferecer outros desdobramentos. A participação do Superman de David Corenswet é bem vinda, mas mostra o que já sabemos dele: que Clark é muito gente boa. E Krypto continua legal. Só.

Fora das salas, a questão é mais inquietante. O fracasso do filme nas bilheterias pode mudar o ânimo dos executivos? Todos sabemos que esses querem mesmo é ver o dinheiro entrar. Ainda mais com a Paramount adquirindo a Warner, essa mudança de “dono” pode significar um reboot do reboot da DC nos cinemas? São outras questões. Veremos.

Eu, se fosse James Gunn, correria e muito para fazer um bom filme do Batman, da Mulher-Maravilha e apresentar logo a Liga da Justiça. Caso contrário estarão novamente os fãs (eu incluído), vendo todo o potencial do Universo DC desperdiçado nas telas.

Sobre a Supergirl, esperamos realmente que a “Heroína de Aço” de Milly Alcock alce novos vôos. A atriz e a personagem merecem.

Czar

Salve, Tribais de todo o planeta, de todos os universos! Sou o Czar, conhecido também como César. Sou professor, pai da Mariana e amante de quadrinhos desde os 9 anos de idade. Amo a DC, amo a Marvel. Viajo pelo espaço com a Enterprise e com ela tento destruir a Estrela da Morte. Com meu chapéu fedora e meu chicote, ando a mil por hora no meu Aston Martin.